O rock autoral smells like teen spirit | Blog da RPA

O rock autoral smells like teen spirit

rock autoral

O rock autoral cheira a espirito adolescente e o perfume inunda toda parte

O rock autoral ferve. Essa é minha constatação após outro fim de semana em Fortaleza, ok não precisa ser nenhum Xeroque Rolmes pra constatar isso. Bastava ter ido no ares do Benfica para ver o Studio Sessions do Heros or Rebels na sexta, ou ter cruzado pelas ruas do Bom Jardim para participar da 1º edição de 2016 do histórico Rock Até Os Ossos da Good Garden Produções no sábado, não é? Acompanho a cena independente há mais de 10 anos e sinto que em uma década muito mudou. Imagine para quem acompanha há mais de quinze, vinte, vinte e cinco…

O rock autoral ferve e a efervescência ocorre de forma periférica, isto é, por toda parte. Eventos são levantados onde não se via estrutura, onde não era usado ou não estava aberto para o movimento rocker e a partir da minha experiência trago verdades rs, digo trago um relato mergulhado em nostalgia.

É uma grande sorte presenciar o que tá rolando, maior sorte que essa só a do adolescente que curte rock hoje e que tem toda facilidade para consumir e participar dele, situação muito diferente da que encarei na minha iniciação na vida de roqueira. Pense, como foi forever alone…

Lado A e Lado B

Eu peguei a época da fita k-7, de acompanhar especiais “in concert” pra gravar fitas, ouvi rádio pra caralho, ouvi a mesmas fitas incontáveis vezes. Depois claro, poucos cd’s incontáveis vezes. Peguei emprestado fitas, tive dificuldade pra comprar álbuns, esperei programas de Tv para ver apresentações de bandas e todo esse grau de dificuldade e lentidão colaborou para que eu dedicasse tempo exclusivamente para ouvir música e consequentemente contribuiu para me transformar numa pessoa introspectiva. Imagino que esse foi o retrato de tantos outros adolescentes da minha geração.

Quem foi adolescente até o começo dos anos 2000 precisou comprar revistas para saber cantar letras corretamente, ver a traduções de músicas ou até mesmo aprender a tocar instrumentos, isso tudo que hoje está a apenas um clique.

Não havia nada como a sensação de voltar uma música no CD player e fechar os olhos, escrever algo, ou mesmo só parar e ficar olhando para o telhado digerindo cada riff, cada letra, cada significado que foi imposto a letra, mudar cada significado para misturar a própria vida.

Tudo ao mesmo tempo e agora

Não. Hoje a galera até ouve a mesma música várias vezes, mas na maioria delas a canção é tratada como música ambiente, um elemento coadjuvante porque o foco está nas redes sociais ou em qualquer outra tarefa que está sendo realizada.

O roqueiro de hoje tá ouvindo música na plataforma de streaming, tá procurando um canal do Youtube pra se inscrever, tá recebendo mensagem do amigo sobre como foi o último evento que não deu pra comparecer, tá sendo marcado no flyer do próximo evento e é tudo isso ao mesmo tempo. Cansativo até de descrever.

Na realidade digital em que vivemos poucos se demoram na arte.

Se o roqueiro que você foi pudesse ver o que aconteceu, ele perderia mais tempo procurando o que ouvir do que dando play na banda preferida dele?

Se ele soubesse que tem festival de música independente todo fim de semana nos mais diversos bairros da cidade, você acha que ele deixaria passar?

A tecnologia e sua praticidade mudou nossas vidas, mas não podemos ignorar que ela nos torna pessoas ansiosas, com deficit de atenção, superficiais e até apáticas.

É ótimo sentir o perfume rocker pelas cidades do Brasil, mas não é nada romântico ver eventos lotados de gente que só frequenta festivais nas áreas nobres, gente indiferente ao rock autoral para privilegiar o cover, ou mesmo pessoas que curtem postagens de bandas só porque foram marcadas nas redes sociais sem ao menos conferir o conteúdo. A atividade virtual de alguém não substitui a ausência dela nos eventos.

Sejamos presentes

Estamos aí adolescentes, jovens, adultos, homens e mulheres com o mesmo interesse pelo rock e sua cultura subterrânea, então como não aproveitar de forma racional toda a facilidade tecnológica conquistada? Como não participar do ganhar de espaços que tá rolando com o independente? Gente, todo o material produzido é pra nós e cabe a nós estarmos aqui atentos pra nos demorarmos nessa arte… pra vivenciarmos essa arte.

Fico por aqui, grande abraço e até o próximo artigo.


Valeu pela leitura! Querendo deixar seus coments, fique a vontade.

Ah já leu nossa entrevista com a banda Malditos Remanis? Leia aqui.


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Garota do Rock, estudante de Administração e uma bairrista apaixonada pelo seu Bom Jardim das artes. Uma riot girl com horror a rótulos, conforme demostra desde 2013 no blog Feriados de Mim. Escreve para explorar questões humanas e para não desaparecer.

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