Precisamos falar sobre bandas covers

bandas covers

Precisamos falar sobre Kevin, digo bandas covers…

Você provavelmente já ouviu muitas criticas a bandas covers com fins de valorização a produção autoral, mas será o cover, um monstro de 7 cabeças?

Lembre-se que nada é por completo original, não surge do zero e sim de inspirações internas e externas. Você pode ouvir um riff de uma música e automaticamente lembrar de outra onde ouviu primeiro o tal riff.

As bandas covers são muito mais que inspirações, são uma cópia e mesmo se tratando de uma cópia, tem quem faça cover e justifique sua escolha por fazê-lo e tem quem o faça de forma positiva como podemos ver a seguir.

 

Na máquina de xerox cada um tem um motivo diferente

 

Os super fãs

Imagine ser um grande fã, ter toda a discografia, livros de biografia autorizada, não autorizada e ainda poder encarnar seu próprio ídolo? Literalmente fantasiar-se e fingir ser o próprio? Tem muita gente nessa categoria, nela o conteúdo é 100% de cover e é feito por amor e como toda forma de amor precisa ser respeitada, acho válido.

 

Ao mestre com carinho

A banda tem em sua maioria composições autorais, mas adiciona no repertório músicas de suas maiores referências. Logo se vê pela cara lavada dos músicos e postura própria que não estão tentando imitar ídolos e sim estão com a intenção de fazer um tributo. Considero gratidão muito válido, digo esse cover.

 

Os que fazem renascer

Tocam em sua maioria, músicas autorais e quando fazem uma pulada de cerca para o cover optam na verdade por fazer uma releitura da canção original com uma pegada mais moderna construindo assim uma ponte entre a música e a geração atual. Isso é o que foi feito com Dê um rolê que a Pitty vem cantando, mas que é de autoria de Moraes Moreira e Luiz Galvão e que foi imortalizada na voz dos Novos Baianos. Agora com a musa rocker a canção virou um lindo convite a redescoberta a um dos baús do tesouro musical de nosso país. Na minha opinião, isso é mais um serviço do que qualquer outra coisa.

 

Os irreverentes

Aqui só entra quem faz versões de músicas, as famosas paródias. É comum bandas quando mais jovens fazer letras em cima do instrumental de canções muito queridas por elas e por mais que estejam fazendo indiretamente um cover, também reinventam a letra dando novo sentido. Bom frizar que os reinventores tocam 99% autoral e aquele 1% rs… Das categorias esse é o mais divertido porque não vem com pretensões, somente diversão para a banda e público.

 

Os da brodagem

Esses são os que fazem covers de outras bandas de rock independente e cujo gesto além de demonstrar amizade demonstra respeito com o trabalho do outro. Essa é uma ação valiosíssima porque implica em reconhecimento e acontece de forma rara.

 

Os profissionais

Por último a galera que toca inteiramente cover e faz isso por dinheiro. Acredite, não é um problema, as bandas autorais também querem lucrar. Muita gente embarca nessa categoria até tocando o que gosta e não é o máximo tocar o que gosta e ainda ganhar dinheiro pra isso? Hum…Houston, temos um problema.

 

A fabricação das bandas covers

 

O problema não está com os músicos, mas com o contexto onde estão inseridos.

Grandes estabelecimentos abrem as portas, disponibilizam divulgação, estrutura e pagamento de cachê a bandas covers, mas fecham as portas para o autoral. Veja a programação dos estabelecimentos mais populares da sua cidade e fique livre para se assustar. Os donos dos grandes estabelecimentos com essa postura de invisibilizar o autoral fazem propaganda de que “bom é o que já foi feito” e com isso enfraquecem a cena independente.

A recusa pelo autoral só cria no imaginário popular que o cover é mais valioso e implica que muitos músicos sigam a corrente de repetir, repetir…

Algo a ser compreendido é que o autoral contribui para o Rock, o reinventa, cria e vem sendo resistência mesmo sem grandes investimentos.

As bandas, músicos e produtores da cena independente fazem historia.

E agora quem poderá nos ajudar?

 

Nós mesmos, que como publico precisamos escolher o autoral e isso não quer dizer eliminar o cover, mas considerar que frequentar um festival independente pode ser muito foda. (é foda sim conforme pode ler no nosso último artigo).

Não podemos ser aqueles que fazem cara feia quando somos convidados para um festival independente, que discriminam os músicos que estão iniciando, que ironizam os anos na estrada de bandas experientes. Não sejamos o tipo medíocre que chora por cortesia para o autoral, mas paga sorrindo o ingresso para ver uma banda fantasiada com os trejeitos de outros.

Em contramão podemos ser os que estão dispostos a ouvir novos sons.

Não tem uma vez que eu não presencie num festival ao menos uma apresentação eletrizante. Tem bandas num nível de qualidade elevadíssimo e tem outras que tem um grande potencial e eu já fico feliz de acompanhar de perto esse aprimoramento. O rock autoral tá botando para voar as bandas e você pode participar da historia do Rock de sua cidade em vez de repetir desilusões como a frase: “queria ter nascido na década de 60 e ter visto o auge do rock”. Argh.

Criatividade, sua linda!

 

Sou fã de muitas bandas que são ícones do Rock mundial e sou fã de muitas bandas que estão no independente. Acredito na criatividade e no quanto as experimentações musicais nos agregam e sei que nós precisamos estudar e respeitar o clássico, mas ainda assim temos que fazer o nosso.

Chega de dizer que o Rock nacional não é o mesmo, isso só faz mais pessoas acharem que podem gritar nos festivais independentes para tocar Raul e tá errado. Os músicos tem que tocar o que desejam sem ser pressionados pelo público, a não ser claro quando o publico pede uma música de autoria deles rs.

Vamos mudar o cenário para um onde artistas são valorizados e não depreciados. Vamos fazer estabelecimentos optarem por contribuir culturalmente para a cidade ou vamos abandonar esses lugares porque cultura é o que mais há nos festivais de rock independente e é cultura nossa, da nossa região misturada a essência do rock, diferente da realidade das bandas covers.

Abraço e até a próxima.

 


 

Se você sabe de outro tipo de cover que não foi colocado nesse texto deixe aí nos comentários ou se tiver afim, conta aí pra gente o que achou. \,,/

 

 


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Garota do Rock, estudante de Administração e uma bairrista apaixonada pelo seu Bom Jardim das artes. Uma riot girl com horror a rótulos, conforme demostra desde 2013 no blog Feriados de Mim. Escreve para explorar questões humanas e para não desaparecer.

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