Documentário resgata cena rock dos anos 1990 em Fortaleza

Documentário resgata cena rock dos anos 1990 em Fortaleza
Por Antonio Laudenir, laudenir.oliveira@diariodonordeste.com.br 12:05 / 17 de Janeiro de 2019 ATUALIZADO ÀS 15:01


Ao contar a história da banda Benihana, “Olhando Torto”, dirigido por José Félix e Alex Fedox, reúne imagens de época e depoimentos de personagens importantes do underground cearense

Outro relevante trabalho de resgate da memória cultural de Fortaleza está disponível para o público. O documentário “Olhando Torto”, dirigido por José Félix e Alex Fedox, ilumina o cenário musical de Fortaleza dos anos 1990 ao reunir imagens de arquivo e depoimentos de testemunhas centrais da época. O filme foi disponibilizado no meio virtual na última quarta-feira (16) e hoje (17), às 19h, terá exibição especial na Vila das Artes.


A narrativa tem como fio condutor a história da banda cearense Benihana. Ao longo de 58 minutos, o trabalho apresenta a fala de músicos, produtores, técnicos e amigos que debatem sobre a cena underground daquela década. O material passeia por fotos, registros de ensaios e até programas de TV. Outro serviço de “Olhando Torto” é devassar espaços e shows que mantinham as apresentações destes músicos. Eventos como Forcaos, Morte ao Capitalismo e o Festival de bandas em Sobral estão na narrativa. As casas de show Gaia, El Bodegon, Casarão, Cidadão do Mundo, Boca rica, entre outros locais são discutidos ao longo da pesquisa.

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José Félix divide que a iniciativa surgiu como forma de contar um pouco do que rolou naquele momento. “Anos depois, mais precisamente 25 anos, na era digital, senti a ausência de documentos, áudio e vídeo que relembrassem e documentassem aquela década importante pra formação da nossa cidade”, esclarece o realizador que também é guitarrista da Benihana. O filme também inclui os esforços de Augusto Azevedo, Valentino Kmentt e Denise Lima Lopes. Conta com produção da Pé Sujo Vídeos, Cine Molotov e Parum Estúdio.

Documento

Ao passsear pela trajetória da banda, o documentário revela marcos culturais de Fortaleza como o surgimento da Associação Cultural Cearense do Rock (ACR) e o aparecimento do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC). Outra contribuição é mergulhar no comportamento e nas manifestações da juventude daquele período. Evidencia como a produção musical alencarina se movimentava. Muita coisa era na raça e realizada com poucos recursos. Tratava de uma molecada sedenta por cultura e disposta a discutir os rumos da sociedade daquele momento. “Olhando Torto”, assim, se mostra didático para quem argumenta que o rock não deve se misturar com o debate político.

Bastidores da gravação de “Olhando Torto’
Divulgação
Quatro anos antes, o que surgiu como uma ideia de contar basicamente a trajetória da Benihana, evoluiu para um documento que recorta a música cearense das últimas duas décadas. “Espero que esse filme incentive outras pessoas a fazerem documentários, ajudando assim a manter viva a memória da cidade. ‘Olhando Torto’ mostra de forma bastante peculiar um pouco da trajetória da banda Benihana, uma banda de rock de Fortaleza que surgiu no final dos anos 1990, com a proposta de fazer uma mistura de sonoridades versadas com letras que denunciavam o caos cotidiano, e que se entrelaçam com suas histórias nada conservadoras pela cidade”, arremata Félix.

Perspectiva

Absorver as imagens de “Olhando Torto” representa um passo além da simples nostalgia. Explica de maneira direta o quanto a cultura é um elemento vital de construção social. Basta enumerar a tajetória dos entrevistados para perceber o quanto a música é um agente modificador. Boa parte dos depoimentos saem da boca de personagens até hoje atuantes na cultura do Ceará. O filme dispara o encontro entre duas Fortaleza que seguem caóticas e desiguais, evidencia o quanto a resistência artística segue firme na batalha por uma realidade menos angustiante.

Por outro prisma, o documentário de José Félix e Alex Fedox também é um recado atual para músicos, produtores e organizadores locais. Gravem, registrem, fortografem e dividam esse material com o público. Ocupem os espaços da mídia, sejam também a mídia. Nada de confiar (apenas) na memória digital. “Olhando Torto” dribla questões técnicas e presta um serviço ao debater quais Fortalezas testemunhamos nos últimos 30 anos. Se pronuncia ao mesmo tempo como um documento crítico sobre o hoje.

Serviço:

Exibição do documentário “Olhando Torto” (2018), quinta-feira (17), às 19h, na Vila das Artes ( Rua 24 de Maio, 1221, Centro). Gratuito. Contato: (85) 3252.1444

Lista de entrevistados

Júnior Animal – Roque Ney Mota – Alexandre Gato – Andread Jó -Thiago Mancha – Guabiras – Daniel Giri – Nayra Costa – César Tavares – Hermes Capone (In Memorian) – Amaudson Ximenes – Daniel Pinto – Filipe Alencar – Camilo Ximenes – Engels FGP – Leandro Lucas – Neto Crápula – Erasmo Lousada – Beto Menezes – Ivo Gothardo – José Félix – Joaquim Zé do Nó – Pedro Trigueiro

 

 

Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/verso/online/documentario-resgata-cena-rock-dos-anos-1990-em-fortaleza-1.2050922?fbclid=IwAR2bPTI8OSXaHkSOXQugg8j_rFD1E8i1NA1VWbdMGH5WcQKDpwsM1BA_vEw


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