A lenda do “roqueiro de verdade”

roqueiro de verdade

O “roqueiro de verdade”, uma lenda urbana que ainda assombra apreciadores do Rock.

 

Sabe as páginas de Rock que criam conteúdo negativo para com outros gêneros musicais como o pagode ou o funk? Sabe essas mesmas páginas que ao elogiar as roqueiras sempre colocam mulheres bem brancas de cabelo liso preto ou ruivo? (a personagem do Guitar Hero, outros roqueiros nos games e pela cultura pop ilustram bem) E aquela pessoa que quando fala sobre Rock inspira um tom superior como se ele fosse diferente de quem não ouve? Enfim, todos eles contornam ou alimentam o ideal do que seria o “roqueiro de verdade”.

Nesse carnaval, um amigo baiano postou em suas redes sociais um desabafo sobre não poder ir com sua camisa do, se não me engano, Black Sabath a um evento de Rock porque chegando lá ia ser confrontado com perguntas sobre a banda e se ele errasse alguma, lhe tomariam a camisa.

Leu o que escrevi? Então, vamos lá: que porra é essa?

Simples: um grupo de valentões usando a desculpa do “roqueiro de verdade” para ganhar camisas.

 

De onde é esse “roqueiro de verdade”?

 

Não sei de onde, só sei que não é daqui.

Quem compra esse pacote de exigir ou se dizer “roqueiro de verdade” não enxerga que é só massagem para o ego, pior, é globalização. Lembra das aulas de geografia que diziam que a globalização era ótima porque era um processo de aprofundamento internacional da integração econômica, social, cultural e blá, blá, blá?

A globalização no Rock engole nossas influências tropicais, nossas raízes latino-americanas, a música produzida aqui, o cabelo crespo, nossa miscigenação, a realidade(!) e tudo o mais que corresponde ao nosso DNA humano e cultural.

É um porre ler isso porque a banda de outro continente é quem faz som de verdade? Isso é relativo, conheço bandas independentes em Fortaleza e de outros estados que fazem trabalhos excepcionais, mas para alguém saber disso tem que frequentar os festivais de música independente que ocorrem na cidade.

 

Olhe a sua volta, meu amigo!

 

Há alguns anos comecei a ouvir Belchior e um dos momentos mais lindos que ele me proporcionou foi o pensamento: “Caralho! Isso é muito Rock´n Roll!” O cearense nos meados dos anos 70 já utilizava o rock em sua essência de trovador popular e espalhava por suas letras, uma rebeldia que chegou até a incomodar o Raulzito.

Assim como Belchior tem a banda psicodélica cearense, O Peso que é pouco conhecida e mais uma “ruma” de gente que podiam ou deveriam estar nas nossas playlists, mas que foram atropeladas por bandas, até rasas, que fizeram sucesso mundial.

Gente, o que falar de Chico Science e sua Nação Zumbi? Um som que reflete um sotaque que vai além da voz de Chico, é como se cada instrumento levasse consigo um eco de Pernambuco e bem, que rock originalíssimo!

roqueiro de verdade

 

Rock que limita? Tire isso do meu prato.

 

Rock promovendo cegueira e violência? Lembra até outro estereótipo, o do roqueiro reaça. Out!

Essa história de “roqueiro de verdade” é mais um fantasma assombrando do que um ideal, nos atrasa, pior nos faz parecer um bando de crianças na 6ª serie.

Eu não acredito num Rock que limita, isso por uma observação bastante pessoal: se um gênero musical me diz como me vestir, com quem devo falar (roqueiro de verdade só tolera outros roqueiros de verdade rs) ou como ver outras pessoas, então isso parece mais uma religião e, licença aqui aos religiosos, isso não é bom!

Menos cobranças por favor! Que tal ouvir e sentir o Rock ao invés de cavar ou sustentar um padrão?

No fim das contas, que sejamos mais críticos com o que consumimos e com o que repetimos porque o que vale a pena perpetuar é o rock que nos inspira, que nos enxerga… Um rock sem fronteiras!

 


Aos que chegaram até aqui: obrigada pela leitura! Querendo dizer o que achou do texto, fique a vontade nos coments.

Abraço e até a próxima.

 


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Garota do Rock, estudante de Administração e uma bairrista apaixonada pelo seu Bom Jardim das artes. Uma riot girl com horror a rótulos, conforme demostra desde 2013 no blog Feriados de Mim. Escreve para explorar questões humanas e para não desaparecer.

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